Por que escolhi fazer engenharia de computação?

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terça-feira, 26 de junho de 2012
Por Eduardo Russo, Coop10. Siga no Twitter

Em um outro post do Bit a Bit, recebi essa pergunta… meio largada , mas bastante pertinente… acho que merece um post para ela mesma… pode sanar a dúvida de outros e gerar discuções interessantes.

“…Procurei um meio de falar com vc que não fosse esse, mas não encontrei. Não sei se você pode me ajudar, mas não conheço ninguém que cursa ou se formou em Eng da Computação e procurando por informações cai aqui. Estou na dúvida entre cursar Engenharia ou Ciência da computação (respectivamente, POLI e IME) e gostaria de saber mais sobre as diferenças entre os dois cursos na prática e no mercado. Sei que você pode não conhecer sobre o dia-a-dia do curso no IME, mas de qualquer forma acho que qualquer informação de alguém que cursou uma das duas pode ser válido!

Cursei dois anos de Economia e larguei sabendo que queria computação, mas na hora de optar por uma das duas (ainda mais que ciência, agora, é separado de Engenharia na inscrição da Fuvest) fiquei perdido. Tenho olhado a grade e procurado informações, mas sobre o mercado e a vivência nos cursos não encontrei nada…”

Minha resposta, com algumas alterações e adição de alguns links, foi a seguinte:

Sofri bastante quando decidi cursar algo a ver com computação, com essa mesma dúvida: ciências ou engenharia.

Cheguei a criar uma comunidade no Orkut para me ajudar nessa decisão! Ainda é uma comunidade interessante (apesar de eu não entrar mais, nem cuidar dela) e tem vários tópicos sobre o assunto.

Mas, independente de outras opiniões que vc possa encontrar nesses tópicos, aí vai a minha.

Obviamente que posso falar com muito mais propriedade sobre Engenharia do que sobre Ciências, mas, vamos lá.

Ciências é um curso bem forte caso você queira desenvolver software. Você aprenderá as entranhas, o planejamento, a construção… provavelmente verá várias linguagens de programação e aprenderá profundamente algumas delas. Entenderá como solucionar diversos problemas usando e criando algorítmos e terá uma base matemática bem forte.

Engenharia é um curso mais generalista (na Poli, em específico) e você terá uma visão mais macro do computador. Terá várias matérias não relacionadas a computação, exatamente pelo generalismo da Poli.

Aprenderá muita lógica, mas não será nenhum mestre de programação (se depender da faculdade) em uma linguagem específica. Entenderá todas as entranhas de um sistema computacional, desde os componentes básicos até o sistema operacional.

Passeando um pouco por um computador, começamos com Laboratório de Fundamentos de Computação, em que programamos um emulador de uma máquina de Von Neuman (é um computador bem básico mas que é a base da computação atual, ignorando a quântica, que mal vimos).

Nessa mesma disciplina, criamos a linguagem de máquina (tipo um assembly, bem básico) dela e escrevemos programas, inicialmente com comandos hexadecimais (0 a 15) e, no fim do curso, com comandos mnemônicos (SUM para somar, por exemplo).

Temos também, Laboratório Digital, em que construímos os mais diversos “equipamentos” eletrônicos usando apenas componentes primários, como portas booleanas (fazem operações lógicas, tipo E, OU…). Começamos com coisas bem simples e, no fim do curso, montamos um mini computador com 16 operações diferentes.

Em matérias teóricas, começamos com Projeto Lógico Digital (essa disciplina, com o excepcional  - minha opinião de merda – professor Edson Fregni,  parece ter mudado de nome… ou não existe mais – não encontrei na grade atual). Nessa disciplina, entendemos o funcionamento dos componentes básicos e alguns mais avançados, todos necessários para o entendimento de um computador.

A sequência dessa é Organização de Sistemas Digitais, em que, a partir dos componentes que conhecemos na anterior, aprendemos a organizar um sistema a fim de montar om computador. Aprendemos um troço chamado VHDL (ou não) que é uma linguagem de construção de sistemas eletrônicos. Seu funcionamento é bem diferente das linguagens de programação normal, pois nela as coisas não são, necessariamente, sequenciais. Várias coisas podem acontecer paralelamente.

Depois disso, temos Arquitetura de Computadores e entendemos mais a fundo como funciona um computador de verdade. Desde o controle de um disco até a apresentação de dados numa tela. Nessa, temos também uma base de assembly (vimos assembly de ARM no nosso ano, mas pode ser de x86, x64 etc.).

Junto de Arquitetura, temos o Lab. de Processadores. Nele, programamos em assembly (era de Motorora 6800, mas já deve ter migrado pra ARM). É a prática e programamos desde coisas bem simples até drivers de comunicação entre o computador e um display.

Depois, temos Sistemas Operacionais e entendemos como um “programão” controla tudo o que aprendemos nas outras disciplinas. Usamos um sistema operacional didático chamado Minix para entender como um SO funciona. Mexemos nas entranhas dele e vemos como as coisas funcionam (e como são complicadas).

Finalmente, Linguagens e Compiladores nos dá a base para entender como uma linguagem de programação é criada (nós criamos uma) e como um compilador funciona (criamos um que interpretava a nossa linguagem). A matéria mistura bem teoria e prática e é considerada o terror dos terrores, já que envolve diversos conceitos muito teóricos. Nessa matéria você descobre a mágica das expressões regulares.

Agora, falando em Software, temos diversas matérias que vão desde as teorias de desenvolvimento (cascata, circular etc), banco de dados, documentação e o desenvolvimento propriamente dito.

A matéria Laboratório de Engenharia de Software II é o que você coloca em prática tudo que aprendeu nas outras disciplinas. No nosso ano, fizemos um ERP modularizado e cada grupo de 4 alunos fez uma parte. Tinhamos que escolher a linguagem de programação (cada grupo podia usar a sua), a arquitetura e divisão do software como um todo, a forma de comunicação de cada módulo com os outros (usamos SOAP no nosso grupo), a documentação que seria produzida e a interface do sistema.

Além disso, no fim do curso tivemos algumas disciplinas sobre empreendedorismo (optativa mas imperdível) (mais uma que, infelizmente, deve ter se aposentado junto do professor Edson Fregni… uma pena), segurança (sentido “security”), inteligência artificial e multimídia.

Outras que valem ser citadas são segurança (sentido “safety”), controle (que usa computação em praticamente tudo, hj em dia) e redes de computadores.

Além disso, tem um monte de outras matérias que não tem nada a ver com computação mas que te ajudam a se formar um engenheiro que, na minha visão, é um “resolvedor de problemas”.

Em relação ao mercado, ambos são bem remunerados e com muita vaga disponível pra quem é bom. Escolhi engenharia por me ver com um perfil não tão técnico. Amo tecnologia, amo computação, mas gosto mais do fim do que do meio e acho que a engenharia dá uma visão mais generalista e acaba sendo um caminho mais natural pra quem não quer escovar bits.

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Eduardo Russo
Eduardo Russo

Formado em Engenharia de Computação pela Poli (2010) e em Design pela Belas Artes (2001), é um dos fundadores do Bit a Bit, fundador do Tubelivery, co-fundador do Universo.mobi e coordenador mobile da Sciere.

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11 Comentários para “Por que escolhi fazer engenharia de computação?”

  1. Thiago

    Opa, Eduardo! Tudo certo?

    Conheci o blog hoje e já encontrei conteúdo excelentes e este, particularmente, me chamou atenção, já que estou no 3º ano do E.M.

    Já estou certo de que quero fazer Ciências da Computação (IME-USP), mas tenho dúvidas quanto ao que optar como segundo curso, caso não consiga passar em CC: Engenharia da Computação vs. Sistema de Informação.

    Tenho um perfil do que foi dito por você em um parágrafo – “Ciências é um curso bem forte caso você queira… criando algorítmos e terá uma base matemática bem forte.” – mas não sei qual seria o melhor a optar como segunda opção (SI ou EC).

    Não sei se pode responder a essa questão, mas não custa tentar: qual outra faculdade você recomenda para Ciências da Computação (e Engenharia da Computação como segunda opção)? Estive pensando em além da Fuvest, prestar para Unesp, UFSCar e Unicamp e como particular, a FEI. Algumas dessas não é tão boa? Há alguma a mais para acrescentar na lista?

    Muito obrigado e parabéns pelo blog!

    Abs!

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    #1072
    • Olá Thiago, talvez seja um pouco tarde para responder, mas não custa deixar a minha opinião registrada.

      Tive a mesma dúvida em 2004, e optei por Engenharia da Computação. Acho que dei maior peso à abrangência do curso de Engenharia (além do grande nome “Poli” no currículo). E saiba que não me arrependo da escolha.

      Fazendo um curso de engenharia de computação na Poli você tem uma formação bem ampla, pode virar um ótimo desenvolvedor de sistemas, um empreendedor, ou até um vendedor de cachorro quente, hehe. Mas o principal é que abre muitos caminhos (durante o curso e depois dele). Assim, você pode ir direcionando a sua formação (como engenheiro, e mesmo como profissional) para onde você tem mais interesse.

      Eu acho que é um investimento (de tempo) que vale a pena, pois dará uma base bem sólida depois.

      Um grande abraço!
      Renan

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      #1118
  2. Samos dois então na duvidas sobre qual opção escolher eu particularmente acho forte o Eng.Computação e mais um ou 2 anos pretendo fazer 2014

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    #1110
  3. Russo, a disciplina de PLD (Projeto Lógico Digital) se misturou com “Fundamentos II” e agora são “Sistemas Digitais I” e “Sistemas Digitais II” (antiga PLD).
    https://uspdigital.usp.br/jupiterweb/obterDisciplina?sgldis=PCS2304&codcur=3031&codhab=1170

    E eu acho que o fregni não se aposentou não viu…. =)

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    #1123
    • Interessante, valeu pela(s) informação(ões)… principalmente a segunda :P

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      #1124
    • Renan

      O professor Edson Fregni esta ministrando duas aulas (do último ano) de Eng. Computação na Poli: Engenharia de Informação (obrigatória) e Empreendedorismo (optativa).

      Além de ter uma empresa de ambientes educacionais online, chamada Sciere (www.sciere.com.br).

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      #1129
  4. Reis

    Olá Russo! Estou me formando no último semestre de Eng.Civil, na tão amada POli!
    Não sei se escolhi o curso certo, mas decidi me formar de vez. Mas sempre gostei do mundo de computação e adorei os cursos de MAC do primeiro ano, (até num+erico o terror dos bixos hahah) e tamb+em curto bastante empreendedorismo e essas coisas. Minha pergunta é, preciso refazer vestibular para ir neste caminho de empreendedor para desenvolvimento de software e quem sabe explorar mais a fundo na indústria de alta tecnologia? A base que tive de programação foi muito boa, mas há muitas linguagens e muitas coisas a aprender. Dado que muitos empreendedores abandonam o curso pra se dedicar às ideias, me dá mais receio ainda de voltar ao ambiente pesado da Poli, dos constantes testes e desafios dos professores…
    O que você acha disso!?

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    #1136
    • Reis, o fato de ter terminado engenharia (civil, ainda, uma das mais FODA de todas) te dá uma base mais que suficiente para trabalhar com computação.

      A Poli faz o excelente trabalho de nos transformar em auto-didatas, portanto, qualquer coisa que quiser aprender de computação que seja mais profunda (linguagens e compiladores, hardware – peguei as coisas mais TRETA!), basta ir atrás… pegar um livro sobre o assunto e estudar.

      Sinceramente, o dia a dia (meu, pelo menos), envolve muito pouco da teoria que aprendi na Poli, porém muito do que absorvi fazendo o curso.

      Em relação a linguagens de programação, o curso de computação da Poli não utiliza praticamente nenhum que você não tenha visto, já que o foco é outro e, se você entendeu um, entendeu todos (menos linguagens funcionais, mas, desconheço alguém não acadêmico que trabalhe com LISP ou similares).

      Portando, se sua paixão é computação e empreendedorismo, siga em frente, nem pense em fazer Poli novamente, já que não há a menor necessidade disso!

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      #1140
  5. Raphael

    Olá, também pretendo fazer Engenharia da Computação na POLI, mas ainda há um “curto” tempo até chegar lá, ano que vem já estarei no 2° ano do ensino médio, porém faço o mesmo integrado a Automação Industrial. E vocês, o que acham? Será que com até mesmo a Automação Industrial eu consigo ter uma base pra não ficar totalmente perdido na hora em que entrar no curso superior? Em Automação também trabalhamos com eletrônica, elétrica, muita matemática, lógica, programação e afins. Óbvio que em um curso técnico, as coisas são bem mais simples do que uma graduação, ainda mais sendo esta na Poli. Atualmente tenho 15 anos, mas já despertei o interesse pela área em média há 5 anos, porém o meu primeiro interesse foi em Ciências da Computação, através disso comecei a estudar linguagens de programação, hoje em dia por exemplo, consigo desenvolver alguns aplicativos com tranquilidade em linguagens como C, também aprendi um “pouco” de Assembly, porém, com o meu curso técnico, como você disse no post, ví também que gosto de algo mais generalizado, que envolva diversas áreas, não gosto muito de ficar limitado e acho que Ciências da Computação iria me limitar um pouco em atuar somente com software, e eu gosto de hardware. Agora, ando em uma luta enorme, encarando ensino médio, técnico e pré-vestibular pra conseguir chegar lá, que não é algo fácil. Mas enfim, também gostaria de parabenizar o blog que possui um conteúdo excelente.
    Boas festas!

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    #1146
    • Raphael, antes de tudo, ficamos muito feliz por você curtir o Blog.

      Em relação aos seus questionamentos de fazer um curso técnico e depois Poli, te digo que é algo totalmente viável.

      Vários colegas traçaram esse caminho e, muitas vezes, tinham muito mais facilidade em determinadas disciplinas do que os que tinham cursado colegial normal.

      Então, se esse é o caminho que deseja trilhar, vá em frente e acredite que é bem possível!

      []s
      Russo

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      #1147

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