Faltam profissionais de engenharia, sobram vagas na área, educação e empresas de mídia tradicional

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quinta-feira, 18 d março d 2010
Por Eduardo Russo, Coop10. Siga no Twitter

Faltam profissionais de engenharia e sobram vagas na área

Ontem filmaram nossa sala da aula para ilustrar uma matéria da Record sobre a falta de profissionais de engenharia no mercado.

Diz a matéria que existem 20.000 vagas de engenharia não preenchidas. Bom para mim, ruim pro mercado, ruim pro país.

Como manda a lei do mercado, a repercussão de uma matéria como essa aumenta a demanda (de alunos buscando um curso de engenharia), o mercado se mexe e aumenta a oferta de cursos e, consequentemente, a oferta de profissionais.

Isso ocasiona, a longo prazo, a diminuição do salário pago para os engenheiros. Ruim pra mim, bom para o mercado, bom para o país que consegue suprir suas necessidades de profissionais qualificados (ou não… veja o que o aumento de “adevogados” fez com os advogados).

Curvas de oferta e demanda atuais e "projetadas"

Curvas de oferta e demanda atuais e "projetadas"

O que a imagem acima mostra, conforme nosso querido (por incrível que pareça, não estou sendo irônico) professor João Furtado de economia, é que a alta demanda atual por profissionais  ocasiona o aumento da oferta, assim, a curva de oferta é deslocada para a direita. Com isso, o preço de equilíbrio, isso é, o quanto o mercado paga aos profissionais de engenharia, cai.

Educação

A matéria coloca que a sala de aula está vazia, um fato, mas a justificativa para isso foi totalmente inventada e isso será discutido na parte três desse post.

A sala não está vazia porque os alunos abandonaram o curso. Aliás, conheço poucas pessoas que abandonaram a Poli e não faltam estímulos para isso!

A sala está vazia porque a aula não interessa. A aula, não a disciplina ou o assunto tratado por ela.

A falta de dinamismo e didática da aula levam os alunos a preferir estudar sozinhos, lendo livros e fazendo exercícios. De quem é a culpa? Do professor, dos alunos ou do sistema?

Para piorar o quandro, dos poucos que comparecem a essa aula em específico, poucos estão realmente prestando atenção.

Aluno fazendo exercicio de outra disciplina

Aluno fazendo exercício de outra disciplina (esta tem todas suas aulas lotadas)

Na minha visão, a culpa é de todos!

Do professor, que não percebe sua falta de habilidade para dar aula e pouco faz para estimular os alunos a comparecerem e aprenderem com sua experiência. Que não percebe que o mundo mudou, que nossas cabeças estão sendo bombardeadas de informações numa velocidade muito maior que uma aula tradicional pode alcançar.

Dos alunos, que batalham pouco, ou nada, para mudar a situação. Agem como bois indo pro abatedouro, aguentando professores incompetentes desde o primeiro dia de aula na faculdade, chegando à conclusão que o que mais aprendeu durante o curso foi se virar para aprender sozinho.

Do sistema, que permite que um (quem me dera fosse só um) professor sem a menor didática continue lecionando. Quando digo “sistema”, estou me referindo à forma com que professores são contratados, com um concurso que só mede o quanto o professor sabe, não o quanto ele consegue ensinar sobre o que ele sabe.

Enfim, vários culpados e nenhum deles fazendo algo para mudar o cenário.

Empresas de mídia tradicional

Quando você acabar de ler esse post, pode me xingar! Eu te dou espaço para isso! Pode colocar uma única “estrela” e dizer que eu sou um bosta, que não sei o que estou falando. O mesmo não acontece com o vídeo que gerou esse post.

Empresas de mídia tradicional estão correndo atrás do prejuízo, isso é um fato, basta ver que consigo assistir na internet o vídeo que passou na televisão, depois de alguns minutos. Porém, anda falta enxergar o poder do prosumer.

O termo refere-se ao que estou fazendo aqui. Prosumer é a junção de consumidor + produtor. Consumi o vídeo da Record e estou produzindo esse conteúdo sobre ele. Assim como você consumirá esse conteúdo e poderá produzir um comentário sobre ele. Outro leitor lerá o post, seu comentário e poderar rebater algo que você disse, e por aí vai.

Ha ouhiu halá sobre vaha di trahalho?

Ha ouhiu halá sobre vaha di trahalho?

O fato é que, ao assistir uma matéria falando que metade da minha sala abandonou o curso, simplesmente me revolta. E o que eu faço com essa revolta, já que não posso comentar o vídeo por lá? Escrevo um post enorme divagando sobre o assunto.

A matéria diz:

“As salas de aula dos cursos de engenharia da Escola Politécnica de São Paulo têm poucos alunos. Esse pessoal representa menos da metade dos acadêmicos que começaram o curso.”

Porra Maurício, como assim?

Eles podem ter pesquisado e descoberto que metade das pessoas dos cursos de engenharia abandonam o curso, só que eles disseram especificamente que a metade da MINHA sala tinha abandonado o curso.

Será uma “mentira didática”, pro povão burro entender o que está acontecendo? A questão é que o povão não é tão burro assim. O povão agora acessa a internet e pode ler um post contestando o que foi dito!

Por saber que eles contaram uma “mentirinha”, não consigo acreditar em todo o resto da matéria.

Será que realmente existem 20.000 vagas não preenchidas de engenharia ou isso foi uma matéria paga por uma nova escola de engenharia que aparecendo no mercado? Como confiar numa mídia que ainda não te dá abertura para debater com quem a produziu?

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Eduardo Russo
Eduardo Russo

Formado em Engenharia de Computação pela Poli (2010) e em Design pela Belas Artes (2001), cofundador do Bit a Bit, fundador do Tubelivery e do Faviconit, cofundador da Fábrica de Aplicativos e coordenador de produto do Scup.

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27 Comentários para “Faltam profissionais de engenharia, sobram vagas na área, educação e empresas de mídia tradicional”

  1. Massaki

    Russo, pelo que entendi da notícia ela fala da falta de profissionais de “Engenharia”, mas não explicita que tipos de engenheiros.
    Eu entendi como falta de engenheiros civis, pois o prórpio exemplo deles era de uma obra.

    Se for isso, há mais uma incoerência na reportagem, pois nossa sala não tem nada a ver com a Civil… = s

    Outra coisa é… gostei da sua análise de mercado, mas creio que não vai acontecer isso. O que acontece atualmente é um aumento do valor do salário, pois a curva de oferta está se deslocando para direita.
    A oferta tende a aumentar sim, mas após alguns anos, em resposta a esse aumento da demanda. Isso faz com que o preço possa ficar próximo, ou não, do valor anterior.

    []s

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    #150
  2. Guilherme Fré

    “O que acontece atualmente é um aumento do valor do salário, pois a curva de oferta está se deslocando para direita.”

    Cara, acho que é exatamente o contrário… aumento da oferta de engenheiros implica em salários mais baixos.

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    #151
    • Massaki

      Ops,
      escrevi errado…

      é a demanda que está se deslocando pra direita atualmente.
      veja que ficou contraditório a frase seguinte por causa desse erro. xP

      Desculpa Duarte!!!
      Vlw Fré!!!

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      #152
  3. Eduardo Russo

    Ok… tentamos melhorar, mas só de leve… seja por preguiça, omissão ou falta de crença no sistema. Não chegamos a criar piquetes e coisas do tipo para tirar professores incompetentes… mesmo porque, não acho que acreditemos que isso funciona também.

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    #154
  4. Graça Bressan

    Eduardo
    Seus comentários merecem alguns esclarecimentos. Sobre os concursos de admissão, entre as três provas realizadas, uma delas é justamente a didática em que o candidato deve ter nota mínima sete, ao contrário dos cursos de graduação onde o aluno é aprovado com nota cinco. Nesses concursos são cinco pessoas na banca sendo a maioria de membros externos. No meu caso especifico, foram dois concursos, um de seleção em que tive a maior nota entre os candidatos e uma de efetivação alguns anos depois.
    Também recentemente alunos de um curso de MBA avaliaram bem minha didática em matérias semelhantes à que dou em graduação e utilizando praticamente o mesmo material. O que surpreende é que nesta turma que é bem heterogênea quanto à idade, formação e escola de origem, os alunos têm uma atividade profissional intensa durante o dia, pegam congestionamentos para chegar no horário da aula, não tem tempo de jantar e apesar disso, não tem dificuldade em ficar acordado e aproveitar as aulas. O professor inclusive está mais cansado a noite e teoricamente tem menor pique para a aula.
    Sou uma pessoa que me dedico muito à graduação, desde correr atrás de convênios com empresas para equipar o laboratório com equipamentos atuais, pois nem sempre contamos com recursos da USP, e procuro sempre atualizar as experiências e todo o material didático das diversas disciplinas que leciono. Muitos professores, inclusive da própria USP e de outras partes do Brasil, tem pedido para utilizar o material principalmente da disciplina atual e elogiam a qualidade do mesmo.
    Do ponto de vista pedagógico, o aprendizado pode ser realizado através de atividades que não sejam exclusivamente aulas expositivas, tais como atividades orientadas a problema tais como ocorre no PBL ou leitura de material fora-aula e que exigem muita participação do aluno fora da classe.
    Uma aula não é uma comunicação só de ida professor para aluno, mas uma parceria visando o aprendizado e envolvendo colaboração aluno-professor. Gostaria que vocês refletissem de forma mais profunda sobre essas questões e que me procurassem para discutirmos propostas concretas e encontrarmos soluções. Estou totalmente disponível para trabalharmos juntos para melhores resultados.

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    #158
    • Professora, em primeiro lugar, apesar do susto ao ler sua resposta, fiquei bastante feliz dos meus comentários terem chego a você e que um espaço para debate foi aberto.

      Em segundo lugar, peço desculpas se, no calor do momento – após ver a reportagem falando que metade da nossa sala tinha abandonado o curso – fui ofensivo de alguma forma, nunca foi minha intenção. Além disso, você era a professora dando a aula no momento da matéria, mas não é a única que tem a sala vazia, portanto meus comentários não são, nem foram direcionados diretamente a você.

      Concordo que aulas são vias de mão dupla, dependem do interesse de ambas as partes e, como disse no meu post, não considero a sala vazia um problema unicamente dos professores mas também dos alunos, que não fornecem feedbacks eficientes, isto é, que produza o efeito desejado por nós.

      Todo final de ano, nos conselhos de classe, fornecemos feedbacks aos professores através do conselho de classe, buscando aulas menos expositivas, – propomos um limite de aulas com slides e isso não foi aceito pelo conselho – mais participativas e ágeis. Ainda assim, acho que é pouco dar feedback uma, duas vezes a uma pessoa que encontramos duas vezes por semana, vejo nossa parcela de culpa nessa falta de agilidade e assertividade.

      Por outro lado, faz parte do ensinar, ao meu ver, o estímulo ao assunto. Um professor deve ser um marketeiro, um evangelizador do assunto que está ensinando e não sinto isso na maioria dos professores da Poli. A sensação é de professores com extremo conhecimento técnico e pouca vontade / capacidade de passar isso para os alunos, seja por estar cansado de alunos desinteressados (mais uma vez, os dois lados da moeda) ou por não possuir as técnicas necessárias para isso.

      Fico feliz em saber que sua aula é estimada por outras turmas e isso reforça que o amarelo não seria nada se todos gostassem do azul e que, a mesma didática que na nossa turma estimula pouco os alunos, funciona em outras turmas.

      Fico feliz também em saber que existe um exame para “medir a didática” dos professores, por mais subjetivo e sujeito a diferentes interpretações que isso possa ser, acho que é necessário.

      Em relação às suas aulas, sinto serem disciplinas extremamente práticas, e que o maior aprendizado se dá nos exercícios. Minha proposta é que toda aula seja de exercícios, com discussões sobre resoluções e você passando sua experiência sobre o assunto. Em vez de um exercício sobre cada assunto, acharia mais proveitoso vários, com diferentes abordagens e visões.

      Agradeço mais uma vez por ter me (nos) respondido e peço desculpas mais uma vez se de alguma forma fui ofensivo.

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      #160
  5. Leandro

    Ótimos comentários da Graça. Talvez falte mais diálogo entre alunos e professores durante a graduação. Mas me parece curioso que os alunos de MBA avaliem bem as mesmas aulas que alguns alunos de graduação criticam. Talvez, a didática utilizada em pós graduação não sirva para a graduação.

    Talvez falta “representantes” da graduação no processo de seleção (a avaliação didática comentada pela Graça)

    Comentários intrigantes.

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    #159
  6. gustavo

    Gostei muito do post! Estou de acordo quando se fala que existem muito professores despreparados (em relação a ‘dar aula’) na Poli, muitos deles dão aula de matérias que não são o seu forte e isso muitas vezes faz com que os alunos não percebam a grande oportunidade de estudar com eles. Lembro-me muito bem das aulas de física, que eram extremamente cansativas, seja pela falta de vontade, seja pelo horário ridículo (depois do almoço, bandeijão), o fato é que ao visitar o currículo dos professores muitas vezes nos deparávamos com especialístas em áreas que nunca imaginávamos conhecer. Ou até mesmo em relação às matérias da própria elétrica.

    O PCS tem um grande problema, que é o uso dos slides, que acho ridículo! Certo que eles ajudam na hora de estudar, mas seria muito melhor ter uma aula boa (acho que a aula do Fregni é um modelo a ser seguido, muito embora concordo que é um modelo que não pode ser aplicado a todo tipo de matéria)!

    Espero que você esteja errado em relação ao nosso salário, não acho que falte engenheiro na praça, acho que falta otimização, muito engenheiro não trabalha com engenharia, muito engenheiro não sabe trabalhar com engenharia. Se faltasse tanto engenheiro na praça, era fácil de encontrar emprego.

    Ridículo mesmo o pessoal da Record falar que metade da sala desistiu, na Poli, conheço um ou dois que desistiram, sendo que muitos dos que desistem, o fazem para entrar novamente, na carreira desejada. Com todo o respeito merecido, mas acho que não vale a comparação dos alunos de MBA com os alunos de graduação, e também não acho que valha falar que eles enfrentam trânsito e tudo mais, nós também fazemos muito, e também enfrentamos trânsito, a maioria dos alunos de MBA tem carro (acho), já o politécnico primeiro e segundo-anista dificilmente tem, quantas vezes esperei por 3, sim três longas horas pelo “terminal lapa”, perdemos tempo com matérias sem sentido, com burocracias, e também nos cansamos, fazemos a mesma coisa das 7:30 até as 5:40, estudamos, estudamos e estudamos.

    Mais uma vez, acho que não tenho um décimo do conhecimento sobre a dinâmica acadêmica dos que aqui comentam (e postam) e reitero que não quero ofender ninguém.

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    #167
  7. Flavio Maldonado Bentes

    O engenheiro está em alta no mercado. Há uma enorme possibilidade de atividades dentro de cada área de formação e uma oscilação de remuneração de acordo com a experiência e competência do profissional.

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    #178
  8. Walbert de Melo Moura

    Fico muito grato em saber que tem pessoas com o objetivo de ver a cada dia a educação melhorá,mas a grande questão é!Qunado os politicos vam abrir as portas de suas mentes que o futuro de uma nação esta na EDUCAÇÃO.

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    #219
  9. Aproveitando pra comentar que foram destruídos os salários nas áreas de TIC com esta mesma “tática” desde os longínquos anos 90… (Maldito Neo, você nunca saiu da Matrix fdp!)

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    #225
  10. Vejam só dados estatísticos divulgados sem credibilidade ,importam em uma imprensa mentirosa e a falsa notícia só serve para beneficiar uma minoria.Notem que se caiu o interesse pela área técnica,foi porque nesse país só se valorizou por enquanto a corrupção e a propina rolou solta.
    Agora é a vez do bom profissional aproveitar,pois dispões de grandes mercados e muita oportunidade.Então não dem bola pra torcida contra e vão aá luta!!

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    #302
  11. Shigueharu Matai

    Notei que existem alguns alunos dos Cursos Cooperativos neste forum.
    Sempre comentaram que o comportamento dos alunos destes cursos difere do tradicional
    e por uma serie de outros comentários, também houveram outros como: Se é tão bom,
    porque a Escola não é toda cooperativa.
    Mas houveram falhas no curso, faltaram implementar outros procedimentos do modelo original da Universidade de Waterloo. http://cecs.uwaterloo.ca/
    Pergunta: Além de uma sugestão de mudar a metodologia de ensino para algo mais moderno como PBL, quais outras sugestões para melhorar o curso ?

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    #340
    • Eduardo Russo

      Matai,

      tenho sim outras possíveis contribuições de como o curso poderia ser ainda melhor. Estou elaborando um artigo exatamente sobre isso, sobre o que aprendi e o que não aprendi na Poli.

      Assim que esse artigo for postado, dou um aviso.

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      #343
  12. Shigueharu Matai

    NÃO FALTAM PROFISSIONAIS, FALTAM TALENTOS !!!

    Faculdade serve como filtro
    Gazeta Mercantil – São Paulo, 26 de setembro de 2000 –

    Em um mercado de trabalho em que o diploma de Master in Business Administration (MBA) tem ganho cada vez mais peso no currículo, e uma experiência profissional bem-sucedida é reconhecidamente o fator determinante na seleção, o nome da instituição de ensino onde o executivo se formou pesa na hora da contratação? ‘É a primeira coisa que eu olho em um currículo’, afirma o headhunter Carlos Diz, sócio da Spencer Stuart – uma das maiores empresas de recrutamento de executivos do País. ‘Na entrevista pessoal, vou descobrir se o que está no papel faz diferença.’ Para o presidente da Arthur D. Little, Paulo Apsan, a formação acadêmica de renome funciona como o primeiro teste de seleção profissional. ‘Não é à toa que as empresas costumam ir em busca dos ex-alunos da FGV, USP ou ITA. Estão comprando o ‘filtro’ que estas universidades impõem aos melhores candidatos.’ Passar por este filtro – que já começa no vestibular, numa concorrência que chega a 60 candidatos por vaga – significa ter um alto índice de capacidade intelectual, disciplina e persistência. ‘Em uma situação de iguais, o nome da universidade vai ser o diferencial’, diz Apsan. ‘Principalmente, quando se trata de um executivo em começo de carreira. À medida que ele adquire experiência profissional, a universidade pesa menos na avaliação’. Mas que ninguém se engane: nome não é tudo. Para galgar posições na empresa, este jovem executivo ainda deve agregar aptidões, como iniciativa, sociabilidade, curiosidade intelectual e traços de liderança. ‘Caso contrário, ele
    pode até ser recrutado, mas vai ficar estacionado dentro da empresa’, diz Apsan. O nível de ensino das universidades brasileiras, no entanto, ainda deixa a desejar quando o assunto é aliar teoria à prática. ‘As universidades têm formado administradores para empresas que já faliram’, diz José Carlos Figueiredo, diretor de executive search da PricewatherhouseCoopers. Para ele, muitas dessas deficiências só poderão ser corrigidas direto no mercado de trabalho e, mais tarde, com um MBA. O executivo reconhece os nomes preferidos pelo mercado na hora de contratar. ‘A Fundação Getúlio Vargas, a Universidade de São Paulo, o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e a Fundação Armando Álvares Penteado, a FAAP – esta última, uma instituição nova, mas que tem apresentado ótimos
    profissionais’. Para Diz, da Spencer Stuart, outros bons nomes são a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC), do Rio. Uma vez definidas as melhores instituições, começa a corrida por parte de consultorias, bancos e grandes empresas pelos talentos recém-formados. Os preferidos são ex-alunos de engenharia, donos de uma habilidade natural para lidar com números e cálculos intricados – embora poucos tenham capacidade semelhante quando o assunto é atendimento.
    Para dar suporte aos engenheiros recém-formados do ITA e da Escola Politécnica da USP, a consultoria Booz, Allen & Hamilton resolveu promover um curso de adaptação. ‘Muitos ex-alunos não sabiam o que fazer quando se deparavam com um balanço pela frente’, diz Sônia Barreto, assessora de desenvolvimento da Fundação Casimiro, instituição ligada ao ITA, que ajudou a consultoria a delinear o treinamento. Segundo Sônia, estes profissionais saem da universidade prontos para analisar gráficos e tabelas, mas não têm conhecimentos de técnicas empresariais. Partem para o mercado financeiro atraídos pelas perspectivas de carreira e remuneração. Nos oito meses do curso da Booz, Allen, são ministradas aulas de administração, economia, marketing e contabilidade. Ao final do treinamento e do estágio na consultoria, alguns dos candidatos serão contratados. O coordenador de estágios do curso de engenharia da computação da USP, Shigueharu Matai, define, na sua linguagem, qual é o diferencial de um aluno da Poli. ‘Ao procurar um aluno que passou por um curso de renome, o mercado está garantindo a CPU, o cérebro. Se vai funcionar bem, depende do sistema operacional, ou seja, do ambiente de trabalho. Também é necessário que o aluno mude sempre de aplicativos, faça ‘upgrades’, para se renovar. Mas de nada vale uma boa máquina e um bom programa, se o monitor, onde se dá a apresentação,
    é ruim. É essencial saber se relacionar.’
    (Gazeta Mercantil 26-09-2000/Página C2) (Daniele Madureira)

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    #342
    • Flávia

      Claro,
      o que conta é o nome da faculdade e não sua experiência profissional!

      o problema é que existem péssimos recrutadores, péssimas dinâmicas ridículas de grupo!!!!!

      esse é o nosso Brasil!!!

      Vamos estudar, ter um emprego infeliz, se matar de estudar para ganhar R$1.000,00 , e pagar uma montanha massacrante de impostos!

      Não sei porque estudei, deveria ter cursado até o ensino fundamental, ter feito uma banca de filhos e viver de bolsa família, vale gás, enfim!!! tudo isso!

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      #354
  13. Flávia

    Discordo totalmente!

    meu esposo é engenheiro eletricista, tem ampla experiência, se formou na FEI.
    Tem um péssimo salário, um péssimo trabalho, e sempre buscar novos desafios, mas não consegue se recolocar no mercado.

    Existe vagas sim, mas vc tem q falar cinco idiomas fluentemente, para ganhar um salário mínimo. Eles oferecem péssimas condições de trabalho, péssimas! Se você não tem experiência na área, você é um lixo humano, você não presta para empresa.

    Essas reportagens são ridículas!!!

    Uma vez, lembro me que foi na record a reportagem, sobre vagas no interior de são paulo, poxa vida, tenho inglês fluente, sou formada em adm, ampla experiência profissional, experiência internacional, adoraria morar e trabalhar no interior, morei lá por um tempo, e é humanamente impossível se colocar no mercado de trabalho. Voltei para São Paulo, tentei buscar vagas no interior novamente, mas é ridículo, não existe vagas!!!!

    Essas reportagens não tem fundamento.

    Falta talento??? falta vergonha na cara das empresas!

    Fui contratada para ser secretária e me registraram como auxiliar adm. e já lavei banheiro e limpei chão na empresa!!!

    Cada coisa ridícula que eu leio que é de revoltar!

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    #353
    • Flávia, uma vez eu ouvi a seguinte frase: “Cada funcionário tem a empresa que merece.” Claro que isto só é valido numa situação de pleno emprego, mas talvez a solução seja você se capacitar para procurar melhores vagas e enquanto isso procurar melhores empresas. Boa sorte!

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      #436
  14. Shigueharu Matai

    Mercado de trabalho

    O atual mercado de trabalho em estado de mudanças constantes exige uma atualização contínua de conhecimentos por parte do profissional, que também deverá estar disposto a se desenvolver em qualquer área afim à sua formação, impondo uma conduta flexível de formação e de aprendizagem. “O importante no ensino da engenharia é o substantivo Engenheiro. Já o adjetivo empresário, construtor, inventor, gerente, consultor, professor, governador, ministro, será conquistado dentro dos vários tipos de vida e de opções de trabalho voltados para suas competências naturais e existentes em sua cultura”.
    Neste contexto, novas qualificações profissionais são valorizadas: aprender a aprender, prontidão na resolução dos problemas, maturidade relacional, responsabilidade social e ambiental, inteligência emocional e estratégia da competência voltada aos serviços da empresa. Os novos paradigmas levam o indivíduo a assumir responsabilidades pessoais em situações imprevistas, a tomar decisões sob pressão, assumir cargos de gestão, ter um espírito empreendedor, o que implica desenvolver atitudes que mobilizem a inteligência, a intuição e o relacionamento interpessoal. A meta do ensino passa a ser voltada para o desenvolvimento de competências pessoais, não somente para os conceitos curriculares. O ensino por competência remete e exige uma estreita interação entre as instituições de ensino e o setor produtivo, para adequar e atualizar a avaliação aos novos perfis laborais, como conseqüência das transformações no mundo do trabalho e da atual sociedade tecnológica.

    Competência é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que, aplicados em situações da prática, podem levar a resultados qualitativos e quantitativos para as organizações e para os indivíduos. O conceito de competência constitui uma ferramenta valiosa para a formação individual. Desenvolver uma metodologia de ensino que assuma um currículo por competência impele a uma centralização no aluno, ou seja, com foco na aprendizagem. O objetivo é fazer efetivamente o aluno aprender, o que implica uma mudança do papel da escola, do professor e do aluno.

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    #356
  15. monique

    Legal o artigo: discute a falta de engenheiro no mercado e a falta de aluno de engenharia na sala da aula! Sensacional!

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    #402
    • Shigueharu Matai

      Prezada Monique

      Excelente e preciso o seu comentário.
      Faltam alunos de engenharia nas salas de aulas.
      Tem um texto com “humor” e oportuno para este fato.
      Existe uma diferença entre palestrante e professor. O primeiro tem ouvintes e o segundo tem alunos. E os alunos possuem nomes. É preciso chamá-los pelo nome, senão eles se fazem de surdos. O maior problema é gravar os nomes dos alunos… são tantos. À medida que passamos a chamá-los pelos nomes também passamos a conhecê-los melhor, criando uma cumplicidade neste trabalho de ensinar e aprender.
      De certa forma, as listas de chamada (presença) tinham este objetivo: ao chamar pelo nome o aluno se identificava respondendo: “presente”. Após algumas aulas o professor já tinha decorado o nome de todos os alunos.

      Mas ninguém gosta mais das listas de chamada.
      Gosta ?

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      #404
  16. Shigueharu Matai

    Se tem um site que sempre visito é o da Universidade de Waterloo
    http://cecs.uwaterloo.ca/
    e vejam o que eles postaram

    Send in your Waterloo experience photos!

    The University is looking for photos to represent the Waterloo experience. Selected photos will appear on the new homepage and are not limited to images on campus – work term locations or student exchange trips are fine! Submit your high resolution images to: http://redesign.uwaterloo.ca/flickr/index.php. Prizes will be awarded for the launch page winners.

    Sugestão : fazer o mesmo no Bit a Bit

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    #405
  17. Olá colegas!

    Curso Eng. do PC na Universidade Federal de Goiás. E tenho também as mesmas impressões do colega autor. As matérias são um caso a parte, vi uma vez uma pesquisa divulgada em um desses sites de vestibular, bem cotado inclusive, que mostrava que os engenheiros eram os profissionais com maior salario. Eles só esqueceram de citar que a pesquisa foi realizada nos EUA. Detalhes só…

    Bom, no nosso caso, na UFG, mais da metade dos alunos realmente desiste do curso. E não há sequer nenhum dos meus colegas que está satisfeito com o curso! Minha opinião é que o modelo é defasado demais, os professores dão aulas da mesma maneiras que lhes foram ministrada, a sei lá, 20 ou 30 anos atrás.

    Fica claro pra mim que o apego à parte teórica é gigante. Na dissiplina “Materiais elétricos” estudados o funcionamento de um diodo em nível molecular, e os modelos matemáticos fazem alguns arrepiarem… Bom, a aplicação disso, e a combinação com outros elementos ficam em segundo plano, o que podemos fazer com toda aquela teoria fica por conta do estudante! Algumas vezes o wikipedia te dá mais noção de como as coisas funcionam do que uma aula deste tipo!

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    #599
  18. anibal aurélio

    Oi galera! Primeiro quero parabenizar o cara que fez esse texto, bem explicado=]gostei.
    Mais eu achei um pouco equivocado em relação da desenvoltura sobre a falta de engenheiros.
    Pelo o que sei sobre ”mercado financeiro” quanto menos for a falta de algo, melhor e o ”preço”(Bom pra mim) pago ao profissional(ou seja,quanto maior for a procura da clase,melhor para o engenheiro no pagamento do final do mês).
    (Pretendo me especializar em Engenharia Eletrica).
    Bom em relação nas classes de Engenherio (que nao são poucas) varia muito em suas áreas, e necessidades para com as ”especialidades”.
    Hoje em dia, quanto mais a qualificação melhor para o profissional.
    Muitos empregadores levam em conta a qualificação,proporcionando assim o aumento do salario fora da média nacional.

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    #895
    • Anibal,

      De fato, a diminuição da oferta de profissionais e consequente excesso de demanda de vagas faz com que os salários dos engenheiro aumentem, só que isso gera uma reação em cadeia que leva, a longo prazo, a um patamar equilibrado.

      Amanhã, um garoto de 16 anos que não sabe o que fazer da vida lê a matéria e pensa “pô, engenheiro ganha bem… é isso que eu vou fazer”. Junto deles, outros milhares de estudantes pensam o mesmo. Em 5 anos, o mercado está saturado de engenheiros!

      Alguns continuam na profissão, apesar do salário de merda (muito engenheiro, falta de vagas… quadro oposto ao que usei no início). Outros desistem… vão virar comerciantes.

      No fim das contas, a quantidade de vagas x profissionais entra em equilíbrio novamente. Óbvio que isso não acontece da noite pro dia…

      Óbvio que um profissional com uma boa formação/diploma com bom nome tem maiores chances de conseguir se manter ganhando um salário digno, mas nnao existe garantia!

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      #896

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